Entrelinhas

1% e 99%

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1% e 99%

É fácil falar sobre inteligência emocional. Difícil é praticá-la quando a emoção é nossa.

Sempre que o Enzo me conta alguma coisa que aconteceu e o desagradou, eu tenho uma frase:

“1% é o que te acontece. 99% é o que você faz com aquilo que te aconteceu.”

Repito tanto isso para ele que já virou quase um mantra aqui em casa. Porque não temos controle sobre tudo o que acontece conosco. Não controlamos as atitudes das pessoas, as decisões que elas tomam, as palavras que dizem ou as situações que aparecem no nosso caminho.

O único controle que realmente temos é sobre o que vamos fazer com aquilo que nos aconteceu. E entender isso é libertador.

Só que existe uma diferença enorme entre saber uma coisa e precisar colocá-la em prática.

Essa semana aconteceu algo que me desagradou muito. Muito mesmo. A ponto de me fazer chorar. Fiquei com raiva, frustrada, decepcionada. E, por uns dez minutos, deixei o meu 1% dominar completamente os outros 99%.

Até que a frase que tanto repito para o Enzo apareceu na minha cabeça: 1% é o que aconteceu. 99% é o que eu vou fazer com isso.

Naquele momento, uma chave virou. A raiva desapareceu imediatamente? Claro que não. Autoconhecimento não é um botão que desliga sentimentos desconfortáveis. Eu continuei sentindo. Mas parei de entregar para aquela situação o poder de decidir como eu ficaria dali para frente.

E talvez seja justamente aí que todo o estudo sobre autoconhecimento faça sentido. Não quando estamos bem. Mas quando somos contrariados. Quando alguma coisa nos machuca. Quando a nossa primeira reação é exatamente aquela que sabemos que não queremos alimentar.

Consciência emocional não significa não sentir raiva, tristeza ou frustração. Significa perceber o que estamos sentindo e conseguir escolher o que faremos com aquilo. É treino. É autoconsciência. É colocar em prática aquilo que estudamos e, tantas vezes, aconselhamos aos outros.

E naquele dia percebi uma coisa:

“Eu estava ensinando essa frase para o Enzo, mas também precisava aprender a vivê-la.”

Talvez nossos maiores aprendizados sejam justamente esses. Aqueles em que a vida pergunta: “Você realmente acredita naquilo que vive dizendo?” E nos dá a oportunidade de responder não com palavras, mas com comportamento.

Evoluir não é confortável. Às vezes dói. Porque exige interromper padrões que seriam muito mais fáceis de repetir.

Mas existe uma liberdade enorme quando entendemos que não precisamos controlar tudo o que acontece conosco. Precisamos aprender a controlar o espaço que aquilo ocupará dentro de nós.

“O 1% pode até não ser uma escolha nossa.
Mas os outros 99% são.”

Por Dani Simomura

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