Histórias

Sr. Luiz

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Ele me ensinou coisas que eu só fui entender muitos anos depois.

Foi ele quem me levou ao meu primeiro show do Menudo.

Foi ele quem, sem saber, despertou meu lado empreendedor quando eu tinha 17 anos e me disse:

“Junta metade do valor do seu carro que eu dou a outra metade.”

E lá fui eu.

Comecei a vender roupa de ginástica e biquíni na faculdade igual uma maluca.

Eu tinha um objetivo: comprar o meu primeiro carro.

E, enquanto ele não chegava, era meu pai quem me levava para a faculdade. Todos os dias. Durante todo o primeiro ano.

Anos depois, foi ele também quem me levou ao altar.

Eu me derramando em lágrimas e ele, muito japonês, sério, olhou para mim e disse:

“Calma, Danitchan.”

Foi ele, junto com a minha mãe, quem me levou à maternidade para ter a minha primeira filha.

E assim foi durante toda a minha vida.

Meu pai, o famoso “Sr. Luiz”, me ensinou muito mais pelo exemplo do que pelas palavras.

Como filho, cuidou dos meus avós até o último dia de vida deles.

Como marido, sempre foi extremamente zeloso com a minha mãe. Para ela, tudo do melhor que ele pudesse oferecer.

Nunca esqueço do dia em que roubaram o celular dela na rua.

Minha mãe ligou para contar.

Quando chegou em casa, já tinha um celular novo esperando por ela.

Ele simplesmente tinha ido comprar outro.

Como pai, nos proporcionou tudo o que estava ao alcance dele. Talvez até um pouco além.

Como avô, transborda o seu melhor.

E hoje todos nós temos um privilégio que dinheiro nenhum compra: ter o Sr. Luiz conosco, com saúde, aos 80 anos.

Claro que, se melhorar um pouquinho a teimosia, a reatividade e esse excesso de economia, ainda dá tempo de se tornar o melhor de todos os tempos. rs

Mas talvez amar alguém de verdade seja também isso.

Conhecer as qualidades.

Conhecer os defeitos.

Dar umas boas reviradas de olho de vez em quando.

E, ainda assim, olhar para aquela pessoa e saber o tamanho do privilégio que é tê-la na sua vida.

Hoje, aos 50 anos, consigo compreender coisas que a menina de 17 ainda não tinha maturidade para entender.

Quando ele me mandou juntar metade do dinheiro do carro, não estava apenas me ensinando a comprar um carro.

Estava me ensinando a conquistar.

Quando cuidou dos meus avós, estava me ensinando sobre responsabilidade.

Quando cuidou da minha mãe, estava me ensinando sobre amor.

Quando nos deu o melhor que podia, estava me ensinando sobre família.

“Ele me ensinou coisas que eu só fui entender muitos anos depois.”

Pai, talvez eu nunca consiga retribuir à altura tudo o que recebi de você.

“Então escolho te honrar vivendo bem
a vida que você me deu.”

Trabalhando.

Conquistando.

Cuidando dos meus.

E aproveitando o privilégio de ainda poder dividir a vida com você.

Feliz seu dia, Sr. Luiz Simomura.

A quem eu tenho a honra de chamar de Pai.

Por Dani Simomura

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