Reflexões

Eu não tenho um lado. Eu escolho princípios.

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Mesmo que o atual presidente fosse de direita, eu não votaria nele.

Porque, para mim, não se trata de defender a direita ou a esquerda. Trata-se de defender aquilo em que acredito.

Verdade. Honestidade. Integridade. Caráter.

Não consigo confiar em um líder cuja trajetória é marcada por graves acusações de corrupção, condenações posteriormente anuladas e tantas controvérsias envolvendo princípios que considero inegociáveis.

E não é porque alguém pertence ao lado político com o qual me identifico que terá meu apoio incondicional.

Meus princípios precisam estar acima das minhas preferências.

Existe um ensinamento bíblico, em Provérbios 29:2, que traduz muito do que penso:

“Quando os justos governam, o povo se alegra; quando os perversos dominam, o povo geme.”

E tenho a sensação de que o povo brasileiro está cansado.

Cansado de conviver com a violência urbana. De sentir medo de ser assaltado enquanto está parado no trânsito. De não poder andar tranquilamente na rua com o celular na mão.

Cansado de ir ao supermercado e perceber que R$ 100 já não são suficientes para encher uma sacola.

Cansado de promessas que não se traduzem em melhorias concretas na vida de quem trabalha, paga seus impostos e tenta construir uma vida digna.

Mas essa reflexão vai muito além da política.

Para mim, posicionamento é coerência entre aquilo que digo, aquilo em que acredito e a maneira como escolho agir.

É ter firmeza de caráter. É sustentar a verdade, inclusive quando ela contraria as nossas preferências.

É fazer a escolha consciente, todos os dias, de viver de acordo com os próprios valores, sem simplesmente seguir os padrões ou as opiniões do mundo.

E reconheço que nem sempre fui assim.

Durante muito tempo, fiz parte da manada.

Votei sem pesquisar, sem estudar os candidatos, sem procurar entender suas trajetórias, suas propostas ou os valores que defendiam.

Minhas escolhas eram influenciadas pelo que eu ouvia, pelas opiniões de outras pessoas e, muitas vezes, por discursos que eu sequer questionava.

Eu tinha opinião, mas nem sempre tinha conhecimento suficiente para sustentá-la.

Hoje enxergo isso de outra maneira.

Vivemos em uma época em que temos muito mais acesso à informação. Podemos pesquisar, comparar fontes, questionar narrativas e procurar compreender melhor quem são as pessoas que desejam nos representar.

Claro que ter acesso à informação não significa, necessariamente, estar bem informado.

É preciso disposição para investigar, senso crítico para distinguir fatos de opiniões e humildade para reconhecer quando estamos errados.

Porque consciência não é encontrar argumentos que confirmem aquilo em que já acreditamos.

É ter coragem de questionar até as nossas próprias convicções.

E talvez esse seja um dos maiores aprendizados do meu processo de autoconhecimento: entender que me posicionar não significa escolher um lado e defendê-lo a qualquer custo.

Significa saber quais são os meus valores e não abrir mão deles por conveniência, identificação política ou pressão de outras pessoas.

Quero escolher com mais responsabilidade quem terá o poder de tomar decisões que afetarão a vida de milhões de brasileiros nos próximos quatro anos.

Não espero encontrar candidatos perfeitos. Mas espero encontrar pessoas comprometidas com a verdade, com a responsabilidade pública e com aquilo que prometem defender.

E, principalmente, quero continuar exercitando essa consciência que demorei tantos anos para desenvolver.

Porque não adianta exigir integridade de quem governa se não estamos dispostos a praticá-la nas nossas próprias escolhas.

A mudança que desejo para o Brasil também precisa começar em mim.

E é justamente por acreditar nisso que continuo esperançosa.

Por Dani Simomura

Entrelinhas

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