Conexões humanas
Nosso encontro foi de almas
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Nosso encontro foi de almas
Ela se aposentou e escolheu vir morar comigo.
E eu ganhei um dos maiores presentes dos últimos cinco anos.
Existem partes de mim que ninguém conhece.
Só ela.
Sinto que Deus a enviou para cuidar de mim, porque talvez só Ele soubesse tudo o que eu viveria nos anos seguintes.
Nos dias em que ninguém imaginava o que estava acontecendo dentro de mim, ela estava lá.
Ao meu lado.
Sem perguntas.
Sem julgamentos.
Sem precisar entender.
Apenas estava.
E hoje tenho certeza de que ela chegou no momento certo para salvar partes de mim que, aos poucos, estavam morrendo.
Tem gente que diz que ela teve sorte de me encontrar.
Que vive como uma princesa.
E eu dou risada.
Porque a grande verdade é exatamente o contrário:
a sortuda fui eu.
Quantas vezes ela foi o único motivo para eu levantar da cama?
Afinal, não importa como foi a noite, o tamanho do problema ou a vontade de ficar ali.
Às 6h30 ela está de pé.
E, consequentemente, eu também.
Talvez ela nunca saiba quantas vezes essa rotina aparentemente tão simples me salvou.
Minha japonesa.
Minha melhor companhia.
Minha melhor amiga.
Ela não fala uma única palavra, mas consegue expressar amor, lealdade e gratidão apenas com o olhar.
E talvez seja justamente isso que torne nossa relação tão especial.
Ela nunca precisou me dizer que estaria comigo.
Ela simplesmente ficou.
Nos dias bons.
Nos difíceis.
Nos que ninguém viu.
Nos que eu mesma gostaria de esquecer.
Hoje entendo que algumas pessoas, e alguns animais, não entram na nossa vida por acaso.
Chegam no momento exato.
Não necessariamente para mudar aquilo que estamos vivendo, mas para nos ajudar a atravessar.
E foi isso que ela fez por mim.
Enquanto eu cuidava dela, sem perceber, ela estava cuidando de mim.
Nosso encontro foi de almas.
Disso eu tenho certeza.
Por Dani Simomura
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